Caneta injetável de retatrutida 2,5 mg

Retatrutida emagrece mais que Mounjaro? Nova medicação apresenta resultados surpreendentes

Uma nova molécula está chamando a atenção de pesquisadores e médicos que acompanham os avanços no tratamento da obesidade: a retatrutida.

Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, a mesma fabricante do Mounjaro, a retatrutida apresentou resultados expressivos em estudos clínicos, com redução média de peso superior a 28% em um dos ensaios de fase 3.

Esses números levantaram uma pergunta: a retatrutida poderá superar o Mounjaro e se tornar uma das opções mais eficazes para o tratamento da obesidade?

Os resultados são promissores, mas existe uma informação fundamental: a retatrutida ainda é experimental e não está aprovada para comercialização no Brasil.

Entenda como funciona, o que os estudos realmente demonstraram e por que ela tem despertado tanto interesse.

O que é a retatrutida?

A retatrutida é um medicamento experimental desenvolvido para o tratamento da obesidade e de condições metabólicas associadas.

Assim como o Mounjaro, ela pertence a uma nova geração de medicamentos que atuam em receptores hormonais envolvidos no controle do apetite e do metabolismo.

Sua principal característica é atuar simultaneamente em três receptores:

  • GLP-1: relacionado à saciedade, ao controle do apetite e à regulação da glicose.
  • GIP: participa da regulação metabólica e da resposta à glicose.
  • Glucagon: está envolvido na mobilização de reservas energéticas e na regulação do metabolismo.

Por essa razão, a retatrutida é conhecida como um agonista triplo de receptores hormonais.

Essa combinação é uma das principais diferenças em relação aos medicamentos atualmente conhecidos.

Qual a diferença entre retatrutida e Mounjaro?

O Mounjaro contém tirzepatida, que atua nos receptores de GIP e GLP-1.

A retatrutida acrescenta a ação sobre o receptor de glucagon, formando um mecanismo de ação triplo.

De maneira simplificada:

Medicamento Princípio ativo Receptores envolvidos
Mounjaro Tirzepatida GIP e GLP-1
Wegovy e Ozempic Semaglutida GLP-1
Retatrutida Retatrutida GIP, GLP-1 e glucagon

A ativação adicional do receptor de glucagon pode contribuir para efeitos metabólicos relacionados ao gasto energético, além dos efeitos sobre a ingestão alimentar.

Entretanto, possuir três mecanismos de ação não significa automaticamente que um medicamento seja superior em eficácia ou segurança.

Estudos clínicos ainda precisam demonstrar essa possibilidade.

Retatrutida emagrece mais que Mounjaro?

A retatrutida apresenta potencial para produzir uma perda de peso ainda maior que a tirzepatida, mas sua superioridade não está definitivamente comprovada.

Os resultados dos estudos são expressivos.

Em um ensaio clínico de fase 2, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, participantes que receberam retatrutida 12 mg apresentaram redução média de aproximadamente 24,2% do peso corporal após 48 semanas.

Posteriormente, resultados de fase 3 ampliaram o interesse pela molécula.

No estudo TRIUMPH-1, divulgado em 2026, participantes tratados com retatrutida 12 mg apresentaram perda média estimada de 28,3% do peso corporal após 80 semanas.

Para compreender a dimensão desses resultados, uma redução de 28,3% corresponderia, matematicamente, a aproximadamente 28 kg em uma pessoa que começou o tratamento com 100 kg.

Isso é apenas uma ilustração proporcional, e não uma previsão individual.

Como esses resultados se comparam aos do Mounjaro?

Em estudos com tirzepatida, como o SURMOUNT-1, os pesquisadores observaram reduções médias de peso próximas de 21% após 72 semanas com a dose de 15 mg, dependendo da análise utilizada.

Já a retatrutida apresentou resultados superiores a 28% em determinadas análises de fase 3.

Mas existe uma ressalva científica importante: esses números vêm de estudos diferentes, com populações, durações e métodos de análise distintos.

Portanto, não é correto concluir que a retatrutida é comprovadamente superior ao Mounjaro apenas comparando os percentuais.

Para estabelecer essa superioridade com maior segurança, são necessários estudos comparativos diretos.

O que mostraram os estudos mais recentes com retatrutida?

Os estudos clínicos avançaram significativamente desde as primeiras pesquisas com a molécula.

O programa TRIUMPH, de fase 3, investiga a retatrutida em diferentes populações, incluindo pessoas com obesidade e condições associadas.

No estudo TRIUMPH-1, os resultados divulgados em 2026 mostraram reduções médias estimadas de peso de:

  • 19,0% com retatrutida 4 mg.
  • 25,9% com retatrutida 9 mg.
  • 28,3% com retatrutida 12 mg.

Esses resultados surgiram após 80 semanas de acompanhamento.

Os pesquisadores também relataram melhoras em indicadores metabólicos e em condições associadas à obesidade.

Embora os dados sejam promissores, a avaliação completa da eficácia e da segurança depende da análise de todo o conjunto de evidências, incluindo os resultados publicados e a avaliação das agências reguladoras.

A retatrutida já está disponível no Brasil?

Não. Até outubro de 2026, a retatrutida permanece um medicamento experimental, sem aprovação da Anvisa para comercialização no Brasil.

Isso significa que ela não deve ser tratada como uma opção de medicamento regularmente disponível em farmácias ou clínicas.

Também não existe uma apresentação comercial aprovada para uso rotineiro em pacientes.

O acesso legítimo à substância em investigação ocorre no contexto de pesquisas clínicas devidamente autorizadas, seguindo critérios e protocolos específicos.

É importante ter cautela com anúncios na internet, redes sociais ou estabelecimentos que afirmam vender retatrutida.

Produtos comercializados com esse nome fora de canais de pesquisa autorizados não possuem as mesmas garantias regulatórias de qualidade, segurança e eficácia de um medicamento aprovado.

Retatrutida pode ser manipulada?

A retatrutida ainda não é um medicamento aprovado para comercialização.

Por isso, a existência de anúncios de versões manipuladas, frascos ou canetas supostamente contendo retatrutida não significa que esses produtos sejam autorizados ou equivalentes à substância utilizada nos estudos clínicos.

O uso de produtos experimentais de origem não verificada envolve riscos importantes, incluindo dúvidas sobre identidade da substância, pureza, concentração e esterilidade.

Não é recomendável adquirir ou utilizar retatrutida comercializada informalmente.

Quais são os efeitos colaterais da retatrutida?

Nos estudos clínicos, os efeitos adversos mais frequentes foram gastrointestinais, semelhantes aos observados com outros medicamentos que atuam sobre os receptores de incretinas.

Entre eles estão:

  • Náuseas.
  • Vômitos.
  • Diarreia.
  • Constipação intestinal.
  • Desconforto gastrointestinal.

Os efeitos frequentemente se relacionaram à dose e à fase de aumento gradual.

No estudo de fase 2, os pesquisadores também observaram aumentos da frequência cardíaca dependentes da dose, que atingiram seu pico durante o acompanhamento e posteriormente diminuíram.

Como se trata de um medicamento experimental, sua segurança precisa continuar sendo investigada, especialmente em relação ao uso prolongado e a eventos adversos menos frequentes.

Resultados expressivos de emagrecimento não dispensam uma avaliação rigorosa dos riscos.

A retatrutida pode causar perda de massa muscular?

Essa é uma questão especialmente relevante.

Medicamentos que promovem reduções importantes do peso corporal podem levar à perda de gordura, mas também de componentes da massa magra.

Isso já é observado em tratamentos com semaglutida e tirzepatida.

Com a retatrutida, a magnitude do emagrecimento torna ainda mais importante compreender os efeitos sobre a composição corporal.

Entretanto, não é adequado afirmar que a retatrutida preserva mais ou menos músculo que o Mounjaro sem evidências comparativas suficientes.

Independentemente do medicamento utilizado, estratégias como treinamento de força, ingestão adequada de proteínas e acompanhamento nutricional são relevantes durante o emagrecimento.

O objetivo do tratamento não deve ser apenas reduzir o número na balança, mas melhorar a saúde e a composição corporal.

Vale a pena esperar a retatrutida para começar a emagrecer?

Para pessoas com obesidade e indicação de tratamento, não é necessariamente adequado adiar os cuidados aguardando um medicamento que ainda não foi aprovado.

Atualmente, já existem tratamentos com eficácia demonstrada e utilização regulamentada, incluindo opções à base de tirzepatida e semaglutida.

Medicamentos como Mounjaro, Wegovy, Ozempic, Poviztra e Ozivy possuem diferentes indicações aprovadas, que precisam ser respeitadas.

A escolha do tratamento deve considerar o quadro clínico, os objetivos, a segurança e as opções efetivamente disponíveis.

A retatrutida representa uma possibilidade importante para o futuro, mas ainda não substitui os tratamentos aprovados.

A retatrutida será o futuro do tratamento da obesidade?

É possível que a retatrutida represente um avanço significativo.

Seus resultados indicam que medicamentos com múltiplas ações hormonais podem alcançar reduções de peso ainda mais expressivas do que aquelas observadas com gerações anteriores de tratamentos.

Entretanto, a evolução da medicina não depende apenas de alcançar o maior percentual de emagrecimento.

Também é necessário avaliar segurança cardiovascular, tolerabilidade, efeitos sobre a composição corporal, manutenção do peso e benefícios clínicos de longo prazo.

Por isso, embora a retatrutida esteja entre as moléculas mais promissoras em investigação, ainda é cedo para defini-la como o melhor tratamento para todas as pessoas com obesidade.

Acompanhamento médico para emagrecimento em São Paulo

Enquanto novos medicamentos continuam sendo estudados, o tratamento da obesidade já conta com opções eficazes e respaldadas por evidências científicas.

O Dr. Rodrigo Avelini é médico formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com formação acadêmica em Nutrologia, Nutrição Esportiva e Obesidade pela Universidade de São Paulo (USP).

Seu atendimento na região da Avenida Paulista, em São Paulo, é voltado ao emagrecimento e à composição corporal, com atenção à redução de gordura e à preservação da massa muscular.

As consultas incluem avaliação clínica individualizada e bioimpedância, permitindo acompanhar diferentes aspectos da evolução corporal durante o tratamento.

Para conhecer o atendimento e obter informações sobre agendamento, acesse rodrigoavelini.com.

Perguntas frequentes sobre retatrutida

Retatrutida é mais potente que Mounjaro?

A retatrutida apresentou resultados de emagrecimento muito expressivos em estudos clínicos, mas ainda não há comprovação definitiva de superioridade sobre o Mounjaro por meio de comparação direta adequada.

Quanto a retatrutida emagrece?

No estudo TRIUMPH-1, a dose de 12 mg apresentou redução média estimada de 28,3% do peso corporal após 80 semanas. Esse percentual representa um resultado de pesquisa, não uma promessa de emagrecimento individual.

Retatrutida já foi aprovada pela Anvisa?

Não. Até outubro de 2026, a retatrutida ainda não possui aprovação da Anvisa para comercialização no Brasil.

Retatrutida já está sendo vendida?

Não existe comercialização regular aprovada da retatrutida como medicamento no Brasil. Não confunda ofertas pela internet ou em estabelecimentos com produtos aprovados.

Qual a diferença entre retatrutida e tirzepatida?

A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1. A retatrutida atua nos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon.

A retatrutida é da mesma fabricante do Mounjaro?

Sim. A Eli Lilly desenvolveu ambas as moléculas.

Quando a retatrutida será lançada no Brasil?

Ainda não existe uma data de lançamento aprovada e confirmada. A disponibilidade dependerá das etapas regulatórias e das decisões comerciais posteriores.

Posso trocar Mounjaro por retatrutida?

A retatrutida ainda não é um medicamento aprovado para uso clínico rotineiro. Não é adequado substituir um tratamento prescrito por produtos experimentais comercializados informalmente.

Leia também:

Referências

  1. Jastreboff AM, et al. Triple–Hormone-Receptor Agonist Retatrutide for Obesity — A Phase 2 Trial. N Engl J Med. 2023. doi:10.1056/NEJMoa2301972
  2. Jastreboff AM, et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-1). N Engl J Med. 2022. doi:10.1056/NEJMoa2206038

Sobre o autor

Dr. Rodrigo AveliniDr. Rodrigo Avelini — Médico, CRM-SP 231.131. Graduado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com formação acadêmica em Nutrologia, Nutrição Esportiva e Obesidade pela Universidade de São Paulo (USP). Atua com emagrecimento e composição corporal em São Paulo.

Artigo atualizado em outubro de 2026. Conteúdo educativo e informativo. Não substitui avaliação médica individualizada.

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